Eram duas vezes uma criança especial. Uma vez mentiu à mãe, outra vez portou-se mal. Duas vezes seguiu o Lobo da Floresta. Uma vez foi pelo atalho, outra vez foi desonesta. O doce de amora guardado para a avó, deu ao Lobo sem demora, sem pejo, enfado ou dó! O Lobo, regalado, lambuzou-se com a iguaria, e a Criança ignorava o desfecho que isto teria. É que as amoras eram frescas, o doce morno e suculento, e três gotas correram a perna da Menina em crescimento. O canídeo, guloso, tratou logo de as sorver, passou a língua molhada pelo pé da dessisada. Sentiu a carne tenra a pedir para ser mordida. Tal foi o susto e o medo, que nada disse a moça de vida já perdida. A língua do Lobo subiu-lhe em direção ao artelho, e os dentes afiados cravaram-se pelo joelho. Rasgou-lhe aquela polpa entre a pele e o tendão. Jorrava agora um líquido do músculo em exposição. O líquido corria num regato improvisado, desceu a colina, atravessou o condado. Como todos os rios correu até ao mar. Passou a Jordânia, chegou ao Egito e derramou-se no Mar, a prova do delito. Tingiu o Mar salgado com a cor do rubi. Um Lobo. Dois Lobos. Três Lobos. Um está guardado para ti!
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